Por Bombinhas Web, guia local · Publicado em
Antes de assinar qualquer coisa com uma construtora em Bombinhas, peça seis documentos: o registro da empresa e do responsável técnico no CREA ou no CAU, a ART ou o RRT da sua obra, o alvará de construção, o habite-se (se o imóvel está pronto), a matrícula atualizada no cartório e, na compra na planta, o número do registro de incorporação. Nenhum deles depende de confiança: todos podem ser conferidos por você, direto na fonte que emitiu.
Esse é o resumo. O resto desta matéria explica por que Bombinhas virou um canteiro de obras, por que a terra aqui acabou virando artigo escasso, e o que cada documento desses protege no seu bolso.
Por que tanta gente decidiu construir em Bombinhas
Entre os dois últimos Censos, Bombinhas saiu de 14.293 moradores para 25.058. É um crescimento de 75%, o maior da região, à frente de vizinhas como Porto Belo e Itapema. No mesmo período, Santa Catarina inteira cresceu pouco mais de 20%. A cidade cresceu cerca de três vezes e meia mais rápido que o estado.
E esse número conta só quem mora aqui o ano todo. Não conta quem chega na alta temporada, de dezembro a março, nem quem comprou para passar o verão. O morador fixo quase dobrou em doze anos, e a cidade que você vê hoje foi em boa parte construída nesse intervalo.
Vale olhar de cima para entender o tamanho da mudança: as fotos aéreas da península mostram a mancha urbana espremida entre a praia e o morro, que é exatamente o assunto do próximo tópico.
A conta que muda tudo: 35,1 quilômetros quadrados e mais nada
Bombinhas é uma península. Tem mar no norte, no sul e no leste, e faz divisa por terra com um único município, Porto Belo, a oeste. São 35,1 quilômetros quadrados no total, o que dá 713 habitantes por quilômetro quadrado.
Só que nem tudo isso é terreno construível. A cidade tem três parques naturais municipais (Galheta, Morro do Macaco e Costeira de Zimbros), além da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, federal, na área do mar. São 39 praias, boa parte delas cercada de encosta e mata protegida.
Junte as duas coisas: uma cidade que quase dobrou de população e um território que não pode crescer. É isso que explica o movimento das construtoras aqui, e é isso que faz a escolha de quem constrói ser mais delicada do que em uma cidade que ainda tem para onde se espalhar. Terreno em Bombinhas costuma vir com pergunta ambiental junto, e essa pergunta precisa de resposta no papel.
Como conferir uma construtora em Bombinhas, documento por documento
Aqui está o método. Ele não depende de você conhecer alguém na cidade, e serve tanto para quem vai construir num terreno próprio quanto para quem vai comprar um apartamento na planta.
Um aviso antes: o que vem abaixo é o que qualquer comprador pode conferir sozinho, e é muito. Não substitui a leitura do contrato por um advogado da sua confiança, que é o passo que a gente recomenda antes da assinatura em qualquer negócio desse tamanho.
1. O registro no CREA ou no CAU
Toda obra precisa de um responsável técnico habilitado: engenheiro civil, registrado no CREA, ou arquiteto e urbanista, registrado no CAU. Os dois conselhos mantêm consulta pública, então dá para checar o nome da empresa e o nome da pessoa sem pedir autorização a ninguém. Se a construtora hesita em passar o número de registro, você já aprendeu algo importante.
2. A ART ou o RRT da sua obra
Registro em conselho é o começo, não o fim. O documento que amarra aquele profissional à sua obra é a ART, a Anotação de Responsabilidade Técnica, criada pela Lei 6.496/1977 e emitida no CREA, ou o RRT, o Registro de Responsabilidade Técnica, criado pela Lei 12.378/2010 e emitido no CAU. Arquiteto emite RRT, engenheiro emite ART.
Sem esse papel, ninguém responde tecnicamente pelo que foi construído. Com ele, existe um nome e um número atrelados ao projeto e à execução. Peça uma cópia e confira se o endereço da obra é o seu.
3. O alvará de construção, antes de a obra começar
O alvará é a licença que a prefeitura dá para a obra existir. Ele vem antes da primeira máquina, não depois. Obra que começa sem alvará expõe você a embargo, multa e a um imóvel que pode não conseguir se regularizar depois.
Em Bombinhas, com as áreas de proteção espalhadas pela península, vale perguntar também se o terreno exige licenciamento ambiental além do alvará. Quem responde sobre as regras urbanísticas e o que pode ser construído em cada zona é a Prefeitura de Bombinhas, no setor de planejamento urbano. Confirme com ela antes de fechar negócio, não com quem está vendendo.
4. O habite-se, quando a obra termina
O habite-se é o aceite da prefeitura no fim da obra: é ele que atesta que o que foi construído corresponde ao que foi aprovado. Sem habite-se, o imóvel tem dificuldade para ser financiado, escriturado e revendido. Se você está comprando pronto, peça o habite-se antes de assinar. Se está construindo, deixe combinado desde o começo quem cuida dele.
5. Comprando na planta, o registro de incorporação é inegociável
Este é o ponto mais importante da matéria, e o menos conhecido de quem compra pela primeira vez.
Pela Lei 4.591/1964, no artigo 32, o incorporador só pode negociar unidades de um empreendimento depois de registrar a incorporação no Cartório de Registro de Imóveis. Isso vale para venda, para reserva e para pré-contrato. Vender antes desse registro não é apenas irregular: a própria lei trata o descumprimento como contravenção penal, no artigo 66.
Na prática, funciona assim: você pede o número do registro de incorporação, vai até o Cartório de Registro de Imóveis (ou consulta a matrícula) e confere se o empreendimento está lá. É uma verificação de poucos minutos que separa um lançamento regular de uma promessa no papel timbrado.
6. A matrícula do imóvel, sempre atualizada
A matrícula é a certidão de identidade do imóvel, e nela aparece o que o folder não conta: quem é o dono de verdade, se há hipoteca, penhora ou ação judicial em cima daquele bem. Peça a matrícula atualizada, emitida há poucos dias, e leia até o fim. Terreno bonito com matrícula suja continua sendo problema.
Cinco perguntas para a primeira conversa
Leve estas perguntas para a primeira reunião. As respostas dizem muito, e o jeito de responder diz mais ainda.
- Qual o número de registro da empresa e do responsável técnico no CREA ou no CAU?
- A ART ou o RRT desta obra já foi emitida? Posso ver?
- O alvará de construção está aprovado? Em que fase está o processo na prefeitura?
- Se for na planta: qual o número do registro de incorporação e em que cartório ele está?
- Quais obras a empresa entregou nesta cidade, e posso conversar com quem comprou?
A última pergunta é a que não tem documento. Em uma cidade de 25 mil moradores, quem construiu bem e quem deixou obra parada são informações que circulam. Converse com síndico, com vizinho de obra, com quem já mora no prédio ao lado.
Por que este guia não indica construtora
Uma escolha que vale explicar: este guia não publica lista de melhores construtoras, não ranqueia empresas e não recomenda nome nenhum. Não porque falte informação, mas porque uma indicação dessas valeria exatamente o que ela custou para entrar na lista, e você não teria como saber a diferença.
O que a gente entrega é o método acima, que funciona com qualquer empresa, inclusive com as que ainda vão abrir as portas aqui. Listas de “as melhores construtoras” existem aos montes na internet, e algumas são bem feitas. Antes de confiar em qualquer uma, faça uma pergunta simples: qual foi o critério para entrar nessa lista, e ele está escrito em algum lugar? Se a resposta não aparece, você está lendo uma vitrine, não uma avaliação.
Perguntas rápidas
Como verificar se uma construtora em Bombinhas é confiável? Confira o registro da empresa e do responsável técnico no CREA ou no CAU, peça a ART ou o RRT da obra, exija o alvará de construção antes do início e o habite-se ao fim, leia a matrícula atualizada do imóvel e, se a compra for na planta, confirme o registro de incorporação no Cartório de Registro de Imóveis.
Uma construtora pode vender apartamento na planta antes de registrar a incorporação? Não. Pela Lei 4.591/1964, o incorporador só está habilitado a negociar unidades depois de registrar a incorporação no Cartório de Registro de Imóveis, e isso inclui reservas e pré-contratos. A lei trata o descumprimento como contravenção penal.
Qual a diferença entre ART e RRT? As duas amarram um profissional habilitado à obra. A ART é a Anotação de Responsabilidade Técnica, emitida no CREA por engenheiros, criada pela Lei 6.496/1977. O RRT é o Registro de Responsabilidade Técnica, emitido no CAU por arquitetos e urbanistas, criado pela Lei 12.378/2010.
Bombinhas está crescendo? Sim. A cidade passou de 14.293 para 25.058 moradores entre os dois últimos Censos, um crescimento de cerca de 75%, o maior da região e mais de três vezes o ritmo de Santa Catarina no mesmo período.
Por que os terrenos em Bombinhas são disputados? Porque o território é pequeno e fechado: uma península de 35,1 quilômetros quadrados, com mar em três lados, divisa por terra apenas com Porto Belo, três parques naturais municipais e área de reserva federal. A cidade cresce em população, mas não em território.
Quem responde sobre o que pode ser construído em cada terreno? A Prefeitura de Bombinhas, pelo setor de planejamento urbano. As regras de zona, recuo e altura estão no Plano Diretor do município, e é lá que se confirma o que vale para o seu lote antes de fechar negócio.
Antes de decidir, conheça a cidade fora do verão
Uma última recomendação, e essa vem de quem escreve sobre Bombinhas o ano inteiro: visite em junho antes de comprar. A cidade de janeiro e a cidade de inverno são lugares diferentes, e quem compra só conhecendo a alta temporada às vezes descobre tarde qual das duas comprou. Vale ler como é Bombinhas fora de temporada e qual a melhor época para vir.
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Construção e imóveis em Bombinhas
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