Por Bombinhas Web, guia local · Publicado em
Esta é a continuação de o que fazer em Bombinhas, e aqui a gente sai da água e da areia de propósito. Fora do mar, Bombinhas é história e vida de pescador: oficinas líticas pré-históricas, o Museu Charles Darwin, canoas centenárias guardadas nos ranchos e ruas com nome temático por bairro. Programa de terra firme, bom o ano todo.
Os vestígios mais antigos: as oficinas líticas da Prainha e do Embrulho
Bombinhas tem gente há muito mais tempo do que o turismo, e a prova mais antiga está na pedra. Ao lado do trapiche da Prainha existe uma oficina lítica, indício do povoamento pré-histórico da região. É uma rocha que guarda a marca de quem viveu aqui muito antes de qualquer trapiche, e passa despercebida por quase todo mundo que desembarca ali para pegar o barco de passeio.
Do outro lado da mesma ponta, na vizinha Praia do Embrulho, há mais oficinas líticas nas rochas, o mesmo indício da presença do homem pré-histórico. O Embrulho é uma praia de tombo, daquelas em que a onda arrebenta quase na beira, e foi dessa característica que nasceu o nome. Numa época em que o trapiche da Prainha ainda não existia, a carga chegava por este trecho de areia, e o mar embrulhava os nativos que descarregavam as mercadorias das embarcações. Perrengue de trabalho que virou nome de praia.
As duas ficam uma ao lado da outra, no costão direito da Praia de Bombinhas, então dá para ver os dois sítios no mesmo passeio a pé.
O Museu de História Natural Charles Darwin
Subindo a estrada que leva à Praia da Tainha, anexo ao Mirante Eco 360, fica o Museu de História Natural Charles Darwin. Foi criado em novembro de 2014 e é dedicado às teorias do naturalista britânico que dá nome ao lugar. Uma parada de ciência no meio de um roteiro de mirante é coisa rara numa cidade de praia, e vale o desvio para quem gosta.
Só que tem um detalhe que muda o plano: o museu fecha em dias de chuva e ventos fortes, a mesma regra do mirante ao lado. É programa de dia firme. Para montar o roteiro de um dia chuvoso, o guia é o que fazer quando chove.
Como horário e valor do ingresso são dados que mudam, confirme com o museu antes de encarar a subida: a estrada da Tainha é longa demais para descobrir portão fechado lá em cima. A Secretaria de Turismo, no (47) 3393-7320, ajuda a checar.
O patrimônio vivo da pesca: ranchos, canoas centenárias e a Praça do Pescador
A pesca artesanal não é só o que acontece de maio a julho, quando a tainha passa. Ela deixou na cidade marcas que dá para ver o ano inteiro, e talvez seja o patrimônio mais vivo de Bombinhas.
Ao longo das praias, com destaque para Bombas, estão os ranchos de pesca. Dentro deles ficam as canoas-de-um-pau-só, muitas centenárias, cada uma escavada de um tronco só. Não são peça de museu: saem para o mar de maio a julho, na temporada da Pesca Artesanal da Tainha. Fora dela, seguem guardadas nos ranchos, e caminhar pela beira de Bombas é passar por elas. Só Bombas concentra sete dos dezessete ranchos de tainha da península: Canto de Bombas, do Van, do Apolônio, do Levi e Zé Luiz, do Kenko, Porto dos Milagres e da Barra.
Dessas mesmas canoas nasceu uma tradição que vira competição: a Corrida de Canoas-de-um-Pau-Só, atração anual da Praia de Bombinhas. Acontece em março, na comemoração do aniversário da cidade, e atrai pescadores de todo o estado. A data certa muda de ano para ano, e março reúne mais de uma celebração ligada à água em Bombinhas: o calendário do ano na Parte 1 mostra o que cai no mês.
A homenagem aos pescadores também está fixada em praça. Em Morrinhos fica a Praça do Pescador, um espaço de lazer arborizado dedicado aos pescadores tradicionais da região, bom para uma sombra e uma parada entre uma praia e outra.
E em Quatro Ilhas, também chamada de Praia de Fora, há um marco com história de mar: a Cruz da Praia de Fora foi encontrada no mar por dois pescadores, que a fincaram em pé no mesmo lugar onde ela apareceu. Fica perto da Praça Mirante das Ilhas, que entra no roteiro dos mirantes de Bombinhas.
As ruas com nome de bairro: um passeio de curiosidades a pé
Tem uma brincadeira de graça que só quem repara percebe: as ruas de Bombinhas têm nome temático, e o tema muda com o bairro. Placa de peixe, você está no Centro. Nome de pássaro, é Bombas. De ilha, Quatro Ilhas. De pedra, Mariscal. De árvore, Canto Grande. De flor, Morrinhos. De rio, Zimbros. De fruta, Sertãozinho. De mamífero, José Amândio.
Não é enfeite à toa: dá para saber em que bairro você está só pela esquina, sem abrir o mapa. Vira um jogo bom de fazer com criança, no carro ou a pé, e um jeito de olhar a cidade que a praia costuma ofuscar. Da próxima vez que estacionar, repare no nome da rua.
Perguntas rápidas
O que dá para fazer em Bombinhas fora da praia? Ver oficinas líticas pré-históricas na Prainha e no Embrulho, visitar o Museu Charles Darwin, andar entre as canoas centenárias dos ranchos de pesca e reparar nas ruas, que têm nome temático por bairro.
O que é uma oficina lítica? É um indício do povoamento pré-histórico da região, marcado na pedra. Em Bombinhas ela aparece ao lado do trapiche da Prainha e nas rochas da Praia do Embrulho.
O Museu Charles Darwin serve para dia de chuva? Não. Ele fecha em dias de chuva e ventos fortes, a mesma regra do Mirante Eco 360 ao lado, então é programa de dia firme. Como horário e ingresso mudam, confirme com o museu antes de subir a estrada da Tainha.
Onde vejo as canoas de pesca de Bombinhas? Nos ranchos ao longo das praias, principalmente em Bombas, que concentra sete dos dezessete ranchos de tainha da península. As canoas-de-um-pau-só ficam guardadas ali o ano todo e vão ao mar de maio a julho, na temporada da tainha.
Onde fica a Praça do Pescador? Na Praia de Morrinhos. É um espaço arborizado que homenageia os pescadores tradicionais da região.
Por que as ruas de Bombinhas têm nomes parecidos? Porque o tema segue o bairro: peixes no Centro, pássaros em Bombas, ilhas em Quatro Ilhas, pedras em Mariscal, árvores em Canto Grande, flores em Morrinhos, rios em Zimbros, frutas em Sertãozinho e mamíferos no José Amândio.